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Luca Badoer no F-3000 com que conquistou o título em 92

Luca Badoer no F-3000 com que conquistou o título em 92

Devo ser mesmo um fã de Formula 1 muito esquisito. Estou mais entusiasmado com a notícia de que Schumacher voltou a aposentadoria e Luca Badoer estará a bordo do carro #3 em Valência do que com o retorno do alemão.

Nada contra Schumacher a quem defendi muitas vezes ao longo dos anos. Na verdade caso o contexto fosse outro e pudéssemos ver um novo round do duelo maior da Formula 1 dos últimos 15 anos – Schumacher vs. Newey – eu teria me entusiasmado muito. Talvez a TV até filmasse um sujeito nas arquibancadas de Interlagos devidamente uniformizado como fã da Red Bull gritando “Vettel! Vettel! Webber! Webber!” com entusiasmo incomum. No contexto atual porém não consigo me entusiasmar muito com a idéia do alemão no grid. Confesso que para mim foi quase anti-climático o anuncio de que ele correria.

Para mim, o que de mais fascinante a “volta” de Schumacher acarretou foram as reações. Era como se Schumacher, nunca o mais popular dos campeões enquanto ativo, fosse recebido de braços abertas por todos os fãs não-ingleses da categoria (na Inglaterra as reações foram mais variadas e próximas aquelas que ele sempre despertou). Uma verdadeira aula em como a distancia do tempo ajuda a moldar nossas reações.

Eu simpatizo muito com Badoer. Mais, o retorno do eterno piloto de testes, mais fiel e menos comentado membro do dream team da Ferrari e o homem com maior numero de largadas sem somar pontos na categoria me interessa muito. A imagem de Badoer arrasado quando sua Minardi quebrou quando vinha em quarto é das mais marcantes que me lembro. O resto do GP de Valencia não me importa, mas sei que estarei lá torcendo para Badoer chegar ao menos em 8º. Schumacher? Para que?

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Não era exagero dizer que Kentucky se tornou ao longo do mês de Julho a prova mais importante da categoria este ano. Pode-se até dizer que uma boa prova neste sábado se tornara essencial para o futuro da IRL. Após atingir o fundo de poço em Richmond e sem expectativas de receber um chassis novo antes do distante 2012 era essencial que o band-aid aerodinâmico proposto para o fim da temporada providenciasse boas provas em ovais. Confesso que não era otimista, mas os resultados foram surpreendentes.

Não só vimos muita ação sábado a noite, especialmente nas 80 voltas finais – creio que quase metade delas incluindo primeiro e segundo colocados correndo lado a lado -, não só tivemos uma prova decidida por 16 milésimos, mas sobretudo vimos uma das provas mais competitivas dos últimos anos. Ed Carpenter, Tony Kanaan, Graham Rahal e – antes de azar e problemas mecânicos os tirarem da disputa – Mario Moraes e Tomas Schekter mostraram carros capazes de disputar a prova com as Penske e Ganassis. O jovem Rahal ultrapassou Dixon e Franchitti duas vezes cada nas últimas 50 voltas, o que deve ser um evento que não acontecia desde que Chip Ganassi se livrou da Toyota.

O nome do dia foi claro Ed Carpenter. Creio que poucos pilotos são tão pouco queridos pelos fãs da IRL quanto o afilhado de Tony George, mas imagino que muitos estavam torcendo por ele nas voltas finais em Kentucky. A Vision sempre anda bem lá, mas Carpenter fez prova muito inspirada andando sempre entre os ponteiros e não dando chances para pilotos mais experientes como Kanaan. Andou muito mais neste sábado que muitos pilotos mais bem considerados o ano todo.

È bom dizer que nada garante que o que vimos no Kentucky se repetira nos últimos três ovais do ano (e vale ainda ressaltar que Motegi e Homestead raramente tiveram boas provas) e que a competitividade maior pode ser conseqüência do contexto incomum da prova já que graças a chuva teve os carros na pista apenas num warm up de uma hora.

Em outras notícias da IRL Robert Doornbos (que fez outra prova medíocre sábado) não corre mais na Newman Haas Lanigan. Oriol Servia deve estar no #06 no próximo fim de semana, enquanto Doornbos tenta fechar um acordo para correr num segundo carro da HVM (onde ele teve sucesso na Champ Car). Menos imediato, mas também aparentemente certo é que Dan Wheldon dificilmente retornará a Panther ano que vem. Wheldon que começou a temporada muito bem vem de uma série de provas medíocres e aparentemente seus salários estão atrasados (pelo visto Wheldon optou pela técnica dos jogadores de futebol brasileiros e vai correr com má vontade até a equipe paga-lo). O campeão de 2005 bate o pé num salário muito acima da média da categoria e considerando que Ganassi e Penske não tem interesse nele a não ser que alguém arranje um belo patrocínio, Wheldon só vai estar no grid ano que vem se aceitar que não vale o quanto acredita que vale (se consideramos que Wheldon apesar de vir de automobilismo europeu desaprendeu como andar em circuitos mistos, ele não vale mesmo).

Classificação do campeonato:
1) Ryan Briscoe (Penske) 416
2) Scott Dixon (Chip Ganassi) 408
3) Dario Franchitti (Chip Ganassi) 405
4) Helio Castroneves (Penske) 341
5) Danica Patrick (Andretti Green) 309
6) Marco Andretti (Andretti Green) 279
7) Dan Wheldon (Panther) e Tony Kanaan (Andretti Green) 274
9) Graham Rahal (Newman Haas Lanigan) 265
10) Justin Wilson (Dale Coyne) 253

As últimas voltas:

O sempre incansável Robin Miller divulgou em primeira mão o calendario do ano que vem da IRL (que será anunciado oficialmente neste fim de semana):
Rio de Janeiro
St. Pete
Birmingham
Long Beach
Kansas
Indianapolis
Texas
Iowa
Watkins Glen
Toronto
Edmonton
Mid-Ohio
Sonoma
Chicago
Kentucky
Motegi
Homestead

Portanto 9 circuitos mistos e 8 ovais.

A semana pós Indy vai ser deixada vaga para Milwaukee. O circuito está a beira da falencia, mas supostamente o milionário John Menard (que sempre manteve grande interesse no autmobilismo americano) estaria disposto a compra-la. Se Milwaukee Mile for salvo, o calendário ficaria meio a meio entre mistos e ovais.

Interessante é que este calendario agora tem 4 blocos bem claros de 4 ou 5 provas cada um entre ovais e mistos.

Rio em meados de março, St. Pete na ultima semana do mês.

O circuito de Barber em Birmingham é bem legal de correr em simulador, mas é muito estreito e deve ter pouquissimas ultrapassagens.

Kansas vai ser no primeiro fim de semana de maio.

Com Milkwaukee uma interrogação e Richmond fora, Iowa é o unico oval curto do calendario.

Kentucky vai mudar para a primeira semana de setembro e Toronto e Edmonton devem acontecer em semanas consecutivas.

O que diferenciou a BMW das outras equipes no grid desde sua chegada em 2006 é personalidade. Pode-se ou não gostar dela, mas a BMW desde o primeiro momento refletia o comando do Dr. Mario Theissen. Eles podiam não ser a mais excitante das equipes, pode-se até dizer que mais do que qualquer outra equipe representavam a influencia das grandes empresas na categoria graças ao estilo de gerente do Dr. Thiessen, mas também eram diretos e sem rodeios dentro da sua eficiência germânica. Sempre foram juntos a Red Bull (que de certa forma era seu perfeito oposto) a equipe Fora isso num meio pródigo em produzir Jean Todts e Flavio Briatores, Dr. Theissen era um sujeito muito simpático. Eu era fã da BMW.

Como era inevitável as especulações se multiplicam. Max Mosley já soltou seu press-release de “eu não disse?” e jornalistas como Flavio Gomes já dispararam que a equipe pulou fora depois de um mal ano. Parece-me óbvio que está foi uma decisão corporativa que aconteceria do mesmo jeito se a equipe estivesse na quarta posição do mundial de construtores. Se tivesse que chutar apostaria que a bagunça da categoria foi mais responsável pelos alemães perderem a paciência com a instabilidade geral. Sejamos francos a BMW é uma empresa séria, a Formula 1 não. James Allen sugere que a equipe pode ser devolvida a Peter Sauber com algum suporte dos alemães.

Em outros noticias, um bilionário russo um tanto suspeito supostamente está pronto para comprar a Renault. Acho que erramos com piloto da addax vai correr na equipe ano que vem…

Imagem que define o GP de Edmonton: Will Power corre sozinho

Imagem que define o GP de Edmonton: Will Power corre sozinho

Depois de duas provas em circuitos mistos muito boas tivemos uma prova morna no aeroporto de Edmonton. Ainda assim, não deixou de ser muito interessante por conta de um evento muito incomum: até a penúltima volta a corrida correu sem bandeiras amarelas. Com a prova toda em bandeira verde foi possível observar muita coisa, especialmente a superioridade da dupla Penske-Ganassi e sobretudo o tamanho da crise da Andretti Green.

Fato: Andretti Green parece incapaz de acertar seus carros para circuitos mistos. Ontem a melhor posição de largada da equipe fora um 12º com Hideki Mutoh (Kanaan saia em 13º, Marco em 18º e Danica em 20º, atrás até do Richard Antinucci com o carro Andrea Moda da 3G!). Geralmente a equipe disfarça a falta de performance com excelente estratégias de paradas se beneficiando muito das amarelas. Ontem sem amarelas, o máximo que a equipe conseguiu foi um 10º lugar com Marco Andretti que completou uma volta atrás. Alias, Marco segue o retardatário mais inconveniente da série, em Edmonton a sua recusa em abrir para os ponteiros chegou a tal ponto que um amigo meu definiu bem Marco é a nossa versão da amarela de debris da Nascar. Para completar a equipe fez churrasco com Tony Kanaan pela segunda vez este ano. Resultado no momento 2 dos 4 carros da equip estão atrás de um carro da Dale Coyne na classificação do campeonato.

Enquanto isso os carros de Penske e Ganassi faziam uma corrida a parte com Paul Tracy e Graham Rahal – os dois melhores do resto – cerca de 30 segundos atrás dos lideres. Alias, Tracy finalmente no seu retorno a categoria fez um dos seus clássicos totós justamente no seu companheiro de equipe Mario Moraes.

O nome da prova foi Will Power, na sua campanha pessoal para convencer Roger Penske em lhe dar uma vaga em tempo integral ano que vem. Power liderou todas as voltas (salvo pelas janelas de parada), quase sempre com uma margem segura, nunca foi ameaçado. Seu domínio foi tão completo que em certos momentos parecia que víamos uma prova da Champ Car e o nome de Power era Sebastian Bourdais. É preciso dizer que das 5 provas que o australiano disputou foi o nome da corrida em três e isto porque corre com uma equipe improvisada que não tem intimidade com o chassis Dallara. A Penske como um todo dominou a prova, mas Power visivelmente estava um tanto a frente de Briscoe e Castroneves.

Deve se elogiar a decisão da Penske em deixar Power vencer a prova, mas isto também sugere que a equipe jogou a toalha quanto as possibilidades de Helio Castroneves conquistar o título este ano. Helio, por sinal, fez uma prova bem honesta após o fiasco de Toronto e realizou uma belíssima ultrapassagem sobre Scott Dixon para garantir o 2º lugar.

IRL oficializou hoje que estreará seu sistema de push to pass em Kentucky sábado. Tomara que tenhamos uma prova melhor em oval.

Hamilton vence após passar a temporada europeia quase toda em branco

Hamilton vence após passar a temporada europeia quase toda em branco

Como não podia deixar de ser a prova de hoje foi completamente ofuscada pelo acidente de Felipe Massa. Como não sou jornalista, nem médico não pretendo me alongar sobre o assunto, mas recomendo acompanhar os blogs do Ico e do Felipe Motta, ambos muito competentes e nada sensacionalistas e escrevendo direto de Budapeste. Alem disso no blog do Becken na discussão pós acidente dois leitores médicos fizeram mais para clarificar as informações do que qualquer um na grande mídia.

Sobre a prova em si basta dizer que Lewis Hamilton foi brilhante. Sua vitória de certa forma me lembrou muito a de Alonso no Japão ano passado, como o espanhol naquela ocasião ele tinha um carro muito bom, mas não necessariamente o melhor e viu os favoritos terem azar nas primeiras voltas, mas a sorte em nada diminuiu sua vitória incontestável. Sobrou o dia todo e finalmente se beneficiou de um dos bons fins de semana do inconstante carro da McLaren.

Ainda assim recomenda-se cuidado aos fãs da equipe de Woking, o verdadeiro teste para saber se a equipe solucionou mesmo os problemas do carro será em Spa. De qualquer forma das últimas 7 últimas etapas, pelo menos 3 (Valencia, Cingapura e Abu Dhabi) devem permitir desempenhos competitivos da equipe. O quinto lugar de Kovalainen (atrás da Red Bull, Ferrari e Williams) talvez represente melhor a posição da equipe. Kimi Raikkonen foi bem, mas ao contrário de Lewis Hamilton pode considerar seu 2º lugar resultado de uma prova atípica.

Já a Red Bull deve ficar decepcionada com sua prova. Com o melhor carro do fim de semana não foram além de um terceiro lugar. A equipe teve muito azar, mas também falhou. Vettel largou mal independente do toque do Raikkonen e acabou pagando caro por isso. Depois a equipe errou no primeiro pit stop de Mark Webber e também comprometeu a estratégia do australiano a colocá-lo no pior pneu no segundo stint. Por sua vez Webber teve rendimento fraco no miolo da prova e mesmo com uma estratégia melhor e sem erros de equipe provavelmente não chegaria a apertar Hamilton, mesmo assim a equipe perdeu 2 pontos que podem custar o título no fim da temporada.

Para a sorte da Red Bull a Brawn teve péssimo fim de semana. Button acabara prejudicado no Q3 no sábado pelo zelo da equipe após o acidente com Massa, mas suas chances no fim de semana se esgotaram na largada pobre. Depois disso só administrou uma prova apagada para salvar 2 pontos. Barrichello também fez péssima largada caiu para penúltimo e depois fez o máximo com sua estratégia agressiva para chegar em 10º tivesse largado bem tinha chances reais de pontos.

Outros dois grandes destaques da prova foram Nico Rosberg e Timo Glock. Rosberg andou muito mais uma vez com um ritmo forte, mas foi prejudicado para variar pelo timing das paradas da Williams e uma tendência cada vez mais pronunciada do carro de gastar algumas voltas após as paradas até recuperar sua performance. Glock faz parte do grande grupo de pilotos que não se encontram com o atual sistema de classificação, mas a cada prova que passa reforça ser um dos melhores do grid quando precisa produzir uma série constante de voltas rápidas em corrida. Hoje não tivesse ficado preso atrás do Raikkonen teria chances de transformar seu 13º lugar de largada até mesmo num 4º, não que não deva ficar satisfeito com seu 6º lugar.

Prefiro nem escrever sobre a punição ridícula a Renault. O incidente com o pneu deve ter dado flashbacks de 2006 para Alonso. A suposta despedida de Nelsinho foi discreta, sem brilho, mas sem erros.

Jaime Alguersuari estreou como se imaginava. Foi lento e terminou 18 segundos atrás do Fisichella num fim de semana onde a Force India voltou a ser a velha Force India do ano passado, mas não cometeu nem um erro o dia todo. Em compensação Sebastian Buemi teve um dia muito infeliz, perdeu 4 posições na largada e depois foi aos poucos andando para atrás até ficar a frente somente do inexperiente companheiro, por fim rodou e chegou em último. Vale dizer que suíço não faz uma prova decente desde a China. O carro da Toro visivelmente melhorou muito como a posição no grid de Buemi sugere, mas hoje faltou piloto.

Alguersuari na World Series by Renault

Alguersuari na World Series by Renault

Não sou a favor da contratação do Jaime Alguersuari e acho uma pena que a Formula 1 após alguns anos voltou a ter um legítimo piloto pagante, mas há algo um tanto histérico nas reações a estréia dele.

A última vez que algo aparecido aconteceu foi com Kimi Raikonnen em 2001. São situações diferentes: Kimi fizera a quilometragem necessária para receber a super licença, o que lhe faltava quase que por completo era experiência em monopostos. Naquela altura o finlandês pilotara cerca de 20 provas de Formula Renault e nada mais. O risco portanto era sobre qual seria o comportamento do piloto quando colocado para competir numa categoria de alto nível. Kimi logo se revelou um piloto seguro e a chiadera desapareceu, mas ela era compreensível.

Alguersuari tem zero de experiência na Formula 1 e isto é sem dúvidas péssimo para a Toro Rosso. Chega a ser cômico para a equipe que ela faça uma aposta dessas neste ponto. Todo o trabalho de adaptação a categoria ocorrerá entre sexta e sábado e sua presença será certamente uma atração nos treinos de sexta-feira. Isto dito, Alguersuari tem 2 temporadas de F3 e meia da World Series. Não é perfeito, mas é mais do que o atual líder do mundial Jenson Button tinha quando estreou em 2000. Claro que Jenson treinou muito na pré-temporada, mas estes treinos são muito mais para garantir a competitividade do piloto do que para impedir que ele seja um perigo para os demais pilotos.

Não acompanhei de perto a carreira de Alguersuari, este ano vi-lo competir só uma vez curiosamente na etapa húngara da World Series. Mas pelos comentários de quem realmente o acompanhou parece se tratar de um piloto tranqüilo e seguro, sem histórico de acidentes. Pelo contrário a fama de Alguersuari é justamente de ser um piloto rápido, mas para quem falta arrojo nas disputas de posição. Considerando que seu principal objetivo domingo será sobreviver é difícil imaginá-lo forçando a barra sobre alguém pela 13º posição sendo que não fazia isso mesmo quando disputava títulos. Se fosse piloto de F1 preferiria ter algúem como Alguersuari no grid do que um piloto como Luca Filippi (para ficar em um piloto GP2 com mais quilometragem num carro de Formula 1).