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Archive for the ‘IRL’ Category

Não era exagero dizer que Kentucky se tornou ao longo do mês de Julho a prova mais importante da categoria este ano. Pode-se até dizer que uma boa prova neste sábado se tornara essencial para o futuro da IRL. Após atingir o fundo de poço em Richmond e sem expectativas de receber um chassis novo antes do distante 2012 era essencial que o band-aid aerodinâmico proposto para o fim da temporada providenciasse boas provas em ovais. Confesso que não era otimista, mas os resultados foram surpreendentes.

Não só vimos muita ação sábado a noite, especialmente nas 80 voltas finais – creio que quase metade delas incluindo primeiro e segundo colocados correndo lado a lado -, não só tivemos uma prova decidida por 16 milésimos, mas sobretudo vimos uma das provas mais competitivas dos últimos anos. Ed Carpenter, Tony Kanaan, Graham Rahal e – antes de azar e problemas mecânicos os tirarem da disputa – Mario Moraes e Tomas Schekter mostraram carros capazes de disputar a prova com as Penske e Ganassis. O jovem Rahal ultrapassou Dixon e Franchitti duas vezes cada nas últimas 50 voltas, o que deve ser um evento que não acontecia desde que Chip Ganassi se livrou da Toyota.

O nome do dia foi claro Ed Carpenter. Creio que poucos pilotos são tão pouco queridos pelos fãs da IRL quanto o afilhado de Tony George, mas imagino que muitos estavam torcendo por ele nas voltas finais em Kentucky. A Vision sempre anda bem lá, mas Carpenter fez prova muito inspirada andando sempre entre os ponteiros e não dando chances para pilotos mais experientes como Kanaan. Andou muito mais neste sábado que muitos pilotos mais bem considerados o ano todo.

È bom dizer que nada garante que o que vimos no Kentucky se repetira nos últimos três ovais do ano (e vale ainda ressaltar que Motegi e Homestead raramente tiveram boas provas) e que a competitividade maior pode ser conseqüência do contexto incomum da prova já que graças a chuva teve os carros na pista apenas num warm up de uma hora.

Em outras notícias da IRL Robert Doornbos (que fez outra prova medíocre sábado) não corre mais na Newman Haas Lanigan. Oriol Servia deve estar no #06 no próximo fim de semana, enquanto Doornbos tenta fechar um acordo para correr num segundo carro da HVM (onde ele teve sucesso na Champ Car). Menos imediato, mas também aparentemente certo é que Dan Wheldon dificilmente retornará a Panther ano que vem. Wheldon que começou a temporada muito bem vem de uma série de provas medíocres e aparentemente seus salários estão atrasados (pelo visto Wheldon optou pela técnica dos jogadores de futebol brasileiros e vai correr com má vontade até a equipe paga-lo). O campeão de 2005 bate o pé num salário muito acima da média da categoria e considerando que Ganassi e Penske não tem interesse nele a não ser que alguém arranje um belo patrocínio, Wheldon só vai estar no grid ano que vem se aceitar que não vale o quanto acredita que vale (se consideramos que Wheldon apesar de vir de automobilismo europeu desaprendeu como andar em circuitos mistos, ele não vale mesmo).

Classificação do campeonato:
1) Ryan Briscoe (Penske) 416
2) Scott Dixon (Chip Ganassi) 408
3) Dario Franchitti (Chip Ganassi) 405
4) Helio Castroneves (Penske) 341
5) Danica Patrick (Andretti Green) 309
6) Marco Andretti (Andretti Green) 279
7) Dan Wheldon (Panther) e Tony Kanaan (Andretti Green) 274
9) Graham Rahal (Newman Haas Lanigan) 265
10) Justin Wilson (Dale Coyne) 253

As últimas voltas:

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Calendário 2010 da IRL

O sempre incansável Robin Miller divulgou em primeira mão o calendario do ano que vem da IRL (que será anunciado oficialmente neste fim de semana):
Rio de Janeiro
St. Pete
Birmingham
Long Beach
Kansas
Indianapolis
Texas
Iowa
Watkins Glen
Toronto
Edmonton
Mid-Ohio
Sonoma
Chicago
Kentucky
Motegi
Homestead

Portanto 9 circuitos mistos e 8 ovais.

A semana pós Indy vai ser deixada vaga para Milwaukee. O circuito está a beira da falencia, mas supostamente o milionário John Menard (que sempre manteve grande interesse no autmobilismo americano) estaria disposto a compra-la. Se Milwaukee Mile for salvo, o calendário ficaria meio a meio entre mistos e ovais.

Interessante é que este calendario agora tem 4 blocos bem claros de 4 ou 5 provas cada um entre ovais e mistos.

Rio em meados de março, St. Pete na ultima semana do mês.

O circuito de Barber em Birmingham é bem legal de correr em simulador, mas é muito estreito e deve ter pouquissimas ultrapassagens.

Kansas vai ser no primeiro fim de semana de maio.

Com Milkwaukee uma interrogação e Richmond fora, Iowa é o unico oval curto do calendario.

Kentucky vai mudar para a primeira semana de setembro e Toronto e Edmonton devem acontecer em semanas consecutivas.

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Imagem que define o GP de Edmonton: Will Power corre sozinho

Imagem que define o GP de Edmonton: Will Power corre sozinho

Depois de duas provas em circuitos mistos muito boas tivemos uma prova morna no aeroporto de Edmonton. Ainda assim, não deixou de ser muito interessante por conta de um evento muito incomum: até a penúltima volta a corrida correu sem bandeiras amarelas. Com a prova toda em bandeira verde foi possível observar muita coisa, especialmente a superioridade da dupla Penske-Ganassi e sobretudo o tamanho da crise da Andretti Green.

Fato: Andretti Green parece incapaz de acertar seus carros para circuitos mistos. Ontem a melhor posição de largada da equipe fora um 12º com Hideki Mutoh (Kanaan saia em 13º, Marco em 18º e Danica em 20º, atrás até do Richard Antinucci com o carro Andrea Moda da 3G!). Geralmente a equipe disfarça a falta de performance com excelente estratégias de paradas se beneficiando muito das amarelas. Ontem sem amarelas, o máximo que a equipe conseguiu foi um 10º lugar com Marco Andretti que completou uma volta atrás. Alias, Marco segue o retardatário mais inconveniente da série, em Edmonton a sua recusa em abrir para os ponteiros chegou a tal ponto que um amigo meu definiu bem Marco é a nossa versão da amarela de debris da Nascar. Para completar a equipe fez churrasco com Tony Kanaan pela segunda vez este ano. Resultado no momento 2 dos 4 carros da equip estão atrás de um carro da Dale Coyne na classificação do campeonato.

Enquanto isso os carros de Penske e Ganassi faziam uma corrida a parte com Paul Tracy e Graham Rahal – os dois melhores do resto – cerca de 30 segundos atrás dos lideres. Alias, Tracy finalmente no seu retorno a categoria fez um dos seus clássicos totós justamente no seu companheiro de equipe Mario Moraes.

O nome da prova foi Will Power, na sua campanha pessoal para convencer Roger Penske em lhe dar uma vaga em tempo integral ano que vem. Power liderou todas as voltas (salvo pelas janelas de parada), quase sempre com uma margem segura, nunca foi ameaçado. Seu domínio foi tão completo que em certos momentos parecia que víamos uma prova da Champ Car e o nome de Power era Sebastian Bourdais. É preciso dizer que das 5 provas que o australiano disputou foi o nome da corrida em três e isto porque corre com uma equipe improvisada que não tem intimidade com o chassis Dallara. A Penske como um todo dominou a prova, mas Power visivelmente estava um tanto a frente de Briscoe e Castroneves.

Deve se elogiar a decisão da Penske em deixar Power vencer a prova, mas isto também sugere que a equipe jogou a toalha quanto as possibilidades de Helio Castroneves conquistar o título este ano. Helio, por sinal, fez uma prova bem honesta após o fiasco de Toronto e realizou uma belíssima ultrapassagem sobre Scott Dixon para garantir o 2º lugar.

IRL oficializou hoje que estreará seu sistema de push to pass em Kentucky sábado. Tomara que tenhamos uma prova melhor em oval.

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Téo Fabi: arquétipo do europeu que migra aos monopostos americanos ou exceção?

Téo Fabi: arquétipo do europeu que migra aos monopostos americanos ou exceção?

A demissão do Sebastien Bourdais fez voltar as velhas e um tanto tolas discussões sobre a qualidade dos pilotos americanos e a suposta facilidade dos pilotos oriundos da Europa que vão para lá (por exemplo este post do Victor Martins).

A verdade como sempre é bem mais complexa e precisa levar em conta que bons pilotos nem sempre se adaptam a equipamentos muito diferentes (ao final de 99, Zanardi estava mais desesperado para se ver longe do carro da Williams que Sir Frank de se livrar dele) e de que como regra os pilotos de resultados discretos na F1 como Christian Fittipaldi que venceram nos EUA tiveram a oportunidade de correr com carros de ponta por lá (os números de Tarso Marques pela Dale Coyne não são melhores que seus pela Minardi).

Ao contrario do que muitos acreditam não existe nada que garanta que Rubens Barrichello ou Adrian Sutil seriam forças na IRL se mudassem para lá amanhã, basta perguntar ao Robert Doornbos que atualmente leva uma surra do seu companheiro pós-adolescente.

Como pequeno exercício resolvi observar a carreira de 5 pilotos de F1 que migraram para os EUA. Todos eles obtiveram algum destaque na Formula 1 foram vistos como promessas e/ou tiveram bons carros, mas ao mesmo tempo nenhum deles foi dono de grande sucesso, ou seja 5 Nick Heidfelds que em determinado momento se mudaram para os EUA.

Mark Blundell
F1
63Gps 3 pódios
Cart
81Gps 3 vitórias 5 pódios

Blundell é uma das inúmeras promessas do automobilismo inglês a não vingar na Formula 1. Sua grande oportunidade veio em 1995 quando substituiu Mansell na McLaren sem qualquer sucesso. Sua passagem de 5 temporadas pela Cart foi mais feliz sem dúvida, mas só encontrou sucesso mesmo em 97 no melhor ano da equipe PacWest (seu companheiro Mauricio Gugelmin venceu pela primeira vez naquele ano também) quando venceu por 3 vezes e chegou em terceiro outras duas e terminou a temporada num honroso 6º lugar. No resto do tempo foi um bom piloto do meio de pelotão sem grandes arrombos, mas constante.

Eddie Cheever
F1
132Gps 9 pódios
Cart
82Gps 4 pódios

Quando eu era pequeno, Cheever era “o” piloto americano da Formula 1. É dono de uma das carreiras mais longas entre os que nunca venceram na categoria permanecendo no grid ao longo de toda a década de 80. Seu melhor momento foi como segundo piloto de Alain Prost na Renault em 83. Em 90, Cheever foi correr em casa pela nova mais promissora equipe Chip Ganassi. Apesar de ter um bom carro nas mãos nunca foi muito competitivo nos 3 anos na equipe (seu companheiro Arie Lundyek certamente impressionava bem mais) e amargou depois 3 temporadas com carros piores. Cheever finalmente obteve sucesso em casa após a cisão dos monopostos americanos quando permaneceu na muito enfraquecida IRL inicial. Sendo um dos poucos pilotos conhecidos correndo por lá atraia bons patrocínios (e por conseqüência carros) e no meio de grids empobrecidos venceu 5 provas incluindo as 500 Milhas de Indianápolis de 98. Em 2006 tentou um último retorno a uma IRL mais forte com resultados constrangedores. Por ironia este piloto americano criado no automobilismo europeu é hoje associado quase exclusivamente pelos fãs locais com uma visão bem retrograda de como uma grande categoria de monopostos deveria ser gerida por lá. É lembrado em companhia de Billy Boat e Greg Ray e não Danny Sullivan ou Rick Mears.

Téo Fabi
F1
63 Gps 2 pódios 3 poles
Cart
118 Gps 5 vitórias 14 pódios 10 poles

Téo Fabi estreou sem grande sucesso na F1 em 82 e se mudou para os EUA em 83 quando foi eleito Rookie do Ano. Voltou para Europa logo depois e se revelou um bom leão de treino nos seus anos de Toleman/Benetton. Faltava lhe porem ser constante ao longo das provas apanhando das jovens promessas Gerhard Berger e Thierry Boutsen e terminou por voltar aos EUA onde certamente foi mais competitivo. Fabi é o exemplo perfeito da idéia clichê da transição, mas a mesma irregularidade que lhe custou uma carreira melhor na F1 era visível na Cart. A despeito de bons resultados ocasionais podia-se contar com Fabi bem distante da ponta da tabela ao fim da temporada.

Bruno Giacomelli
F1
69 Gps 1 pódio 1 pole
Cart
11Gps

Giacomelli é um destes jovens pilotos que aparecem com tudo e logo depois somem em meio a carros ruins. Quando obteve a pole position em Watkins Glen em 1980 era visto como uma grande promessa, ao final da temporada seguinte a Alfa Romeo abriu mão dos seus serviços e Giacomelli pouco fez nos seus últimos anos na categoria. Em 85 foi se arriscar nos EUA pela Patrick (equipe onde Emerson Fittipaldi obteve bastante sucesso). Não durou a temporada. Seu melhor resultado foi um 5º lugar.

Stefan Johansson
F1
103 Gps 12 pódios
Cart
74 Gps 4 pódios

Johansson é junto a Nick Heidfeld o recordista de pódios sem vitórias na Formula 1 e teve inclusive oportunidade na Ferrari e McLaren. Segundo a lógica de muitos tinha tudo para fazer bela carreira nos EUA, mas geralmente andava pelo meio do grid. Em 5 anos, obteve 4 3º lugares como melhores resultados e nunca terminou uma temporada entre os 10 melhores. No automobilismo americano se revelou um burocrata ainda maior que na Europa, mas se sairia bem melhor após trocar monopostos pelos GTs.

Voltando ao Bourdais que afinal ocasionou este post, é bom lembrar que alem de resultados fracos pela Toro Rosso, ele foi 2º em duas importantes provas de Endurance (Sebring e Le Mans). Fosse amigo do piloto francês lhe consolaria apontando que no meio de seus stints furiosos na madrugada de Le Mans andou muito mais que o trio Alonso/Hamilton/Raikonnen fez o ano inteiro. O automobilismo é sempre mais que a Formula 1.

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Justin Wilson abraça Dale Coyne após a vitória em Watkins Glen

Justin Wilson abraça Dale Coyne após a vitória em Watkins Glen

Vindo de uma das provas mais medíocres da história da categoria e após uma semana no mínimo tumultuada, A IRL precisava de um dia como o de hoje em Watkins Glen. Não só por vermos uma boa prova, disputada e cheia de alternativas, num circuito que mantém a personalidade adquirida ao longo dos anos que ilude a maior parte dos autódromos mais recentes. Para alem do que foi a prova pela primeira vez no ano o vencedor não pertenceu nem a Roger Penske nem a Chip Ganassi. Mais o que torna o dia de hoje histórico é que o vencedor foi Justin Wilson com o carro da Dale Coyne.

Para aqueles que não acompanham a categoria de perto Dale Coyne montou sua própria equipe creio que em 84 (acumulando as funções de piloto e designer de chassis!) e de lá para cá nunca havia vencido uma corrida – na verdade o primeiro pódio veio só em 2007 na última temporada da Champ Car já bem esvaziada. Uma das poucas constantes para quem acompanhava a Cart é que lá estaria os carros da Dale Coyne no fundo do grid geralmente correndo com pouco ou nenhum patrocínio (segundo levantei hoje foi a 558º largada de um carro da Coyne). Mesmo depois da cisão em 96, Coyne seguiu fiel a Cart apesar dos custos fora da sua realidade e creio que poucos duvidavam de que haveria um carro da Coyne no grid este ano independente da falta de patrocínios.

Exceção feita a 3G, Dale Coyne é a equipe com menos recursos no grid, mas pode-se dizer que Justin Wilson não venceu graças a uma barbeiragem de um dos pilotos de ponta, a sorte numa bandeira amarela ou mesmo a uma estratégia diferenciada, não Wilson ultrapassou Ryan Briscoe na quarta volta e depois disso só não liderou nas voltas logo após seu pit stop. Como que para confirmar que Wilson dominou o dia após a relargada da última amarela a seis voltas do fim – quando muitos como eu temiam que ele fosse ser ultrapassado – o inglês começou a abrir um segundo por volta sobre os carros da Penske e Ganassi que vinham logo atrás. Desculpem por me alongar tanto, mas eu realmente não me entusiasmei tanto com nenhuma vitória este ano (eu literalmente vi as últimas voltas de pé e xinguei muito o Hideki Mutoh quando ele causou a amarela do fim). Portanto hoje posso dizer que vi uma partida de tênis histórica e Winbleddon troquei de canal e emendei numa corrida histórica em Watkins Glen.

Fora isso, vale destacar que Ryan Briscoe segue de longe o melhor e mais constante piloto do ano. Não fosse muito azar (e a tendência do Roger Penske em trata-lo como o segundo piloto) estaria liderando o campeonato talvez até com alguma folga. Mike Conway fez uma ótima prova e com um pouco mais de sorte no último pit iria ao pódio acabou em 6º. Já o Marco Andretti merece elogios por ter transformado uma volta de déficit num 5º lugar, por outro lado enquanto era retardatário fez um festival de barbeiragens vergonhoso (chegou a tocar roda com Wilson quando levava volta) e só não tomou alguma punição por cota da conivência da direção de prova. Michael precisa explicar para garoto que circuito misto não é oval curto e recuperar volta e possível. Quem também merece uma bronca é Mario Moraes que anda esgotando a paciência, hoje para variar a KV lhe deu um carro ótimo e para variar ele estragou a prova com uma infantilidade e terminou se arrastando entre os últimos colocados. Não é a toa que quando da última relargada com Mario ainda na pista seu patrão Jimmy Vasser soltou no twitter um “Go, Justin!”.

OS: Alguém entendeu a briga de transito durante a amarela entre o Graham Rahal e o Robert Doornbos? Algo me diz que a garagem da Newman-Haas não anda muito harmoniosa.

Campeonato
1) Scott Dixon (Chip Ganassi) 313
2) Dario Franchitti (Chip Ganassi) e Ryan Briscoe (Penske) 294
4) Helio Castroneves (Penske) 257
5) Danica Patrick (Andretti Green) 238
6) Dan Wheldon (Panther) 224
7) Marco Andretti (Andretti Green) 215
8) Tony Kanaan (Andretti Green) 214
9) Graham Rahal (Newman-Haas-Lanigan) 197
10) Justin Wilson (Dale Coyne) 187

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A IRL pós-Tony George

Planejava escrever sobre a prova da DTM, mas hoje à noite a bomba mais que anunciada finalmente explodiu. Tony George – dependendo de quem for a sua fonte o homem mais amado ou odiado entre os fãs de monopostos americanos – foi afastado/demitido do seu posto de presidente do Indianápolis Motor Speedway, da Indycar Racing League e de todos os negócios da família Hullman-George. A partir de hoje George é só o dono da Vision Racing e um membro da mesa diretora dos negócios da família.

Robin Miller, o mais antigo jornalista americano a cobrir monopostos e inimigo declarado de George, havia anunciado que a decapitação de TG estava próxima logo depois das últimas 500 Milhas. Logo depois o IMS contra atacou com um press-release dizendo que George ainda era presidente e a família pedira a ele um plano para o futuro. Para quem está habituado a linguagem dos press-releases era visível que Miller estava no mínimo no caminho certo. Logo depois para dar mais combustível a história todos os donos de equipe assinaram uma declaração de apoio a George durante a etapa de Milwaukee e mais recentemente Ryan Hunter-Reay segundo piloto da Vision foi emprestado a Foyt e circulou a noticia de que a família teria negado 750 mil dólares necessários para manter o seu carro operando (vale apontar que a única razão pela qual a Vision colocara um segundo carro na pista é Hunter-Reay ser garoto propaganda de um dos patrocinadores da liga e estar desempregado).

Segundo as fontes de Miller, as três irmãs de George decidiram por um fim na sua gastança desenfreada para manter a série operando. George teria desde 96 torrado cerca de 600 milhões de dólares na IRL, nem toda esta grana foi perdida, mas cerca de metade certamente nunca retornou a família. Para além das grandes premiações em Indianápolis, George subsidia todas as equipes através do programa TEAM Money (essenciais para as operações das equipes menores) e assume parte das despesas junto aos fornecedores. Em suma, sem o dinheiro da família George provavelmente nós teríamos Penske (Malboro), Ganassi (Target) e AGR (Danica) nas pistas.

Até o momento tudo sugere que a fonte não vai secar. Ao mesmo tempo em que o anuncio saiu, um outro press-release destacava várias mudanças aerodinâmicas para melhorar as provas ovais e a família se comprometeu a seguir investindo na IRL. A verdade é que agora que o clube dos milionários brincando de donos de equipe fechou, a família George está presa a IRL. As 500 Milhas precisam de uma série e não há ninguém mais disposto a financiá-la. Por outro lado a decisão de não apontar um substituto para a IRL (enquanto as outras áreas onde George foi afastado foram cobertas) é muito preocupante.

É certo que com Tony George perdendo poder a disposição para torrar milhões deve diminuir consideravelmente e o aviso de George no final do ano passado de que a IRL precisaria se auto-sustentar até 2013 parece mais assustadora do que nunca. Me parecem existir 5 possíveis cenários para o futuro a médio prazo da série:

a) A IRL finalmente se auto-sustenta e tudo permanece como está.
b) algum milionário entediado resolve brincar de ser salvador dos monopostos americanos e decide pagar as contas da brincadeira (Gerry Forsythe me parece a única pessoa que consideraria a idéia). Champ Car vai a Indy.
c) Penske, Ganassi e Andretti decidem continuar a série por conta própria. Cart 2.0.
d) A família France aproveita a oportunidade e ou compra o espólio da IRL ou monta uma série de monopostos do principio. Grand-Am versão monopostos.
e) A família George lava as mãos, ninguém se apresenta e a organização da Indy 500 reverte para USAC e teremos basicamente um versão glorificada de super modifieds televisionados de forma mais ampla uma vez por ano.

Todos os cenários alternativos são meio assustadores e o último é apocalíptico, mas todos são criveis (especial a alternativa d).

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Os fãs da IRL merecem um espetáculo melhor do que a série vem apresentando

Os fãs da IRL merecem um espetáculo melhor do que a série vem apresentando

É chato parecer um disco quebrado, mas está cada vez mais difícil de acompanhar as provas em ovais da IRL. A etapa de Richmond disputa ontem foi uma das mais medíocres provas de uma categoria de monopostos de ponta que eu já assisti. Um amigo preparou um resumo das ultrapassagens em bandeira verde a partir da relargada na volta 45 (de 300):
Justin Wilson fez uma ultrapassagem na volta 70 e outra na 156.
Dan Wheldon conseguiu outra na 156.
Hideki Mutoh passou dois carros que voltavam dos pits na 220.
Danica Patrick conseguiu uma na 224 e outra na 239.
EJ Viso fez a última na volta 263.

Sim, só isto. Retomando o preâmbulo sobre Silverstone, espero de categorias e circuitos diferentes provas diferentes. Já defendi muitas vezes que circuitos ovais são muito mais complexos do que fãs de automobilismo europeu acreditam, mas o ponto de se correr neles sem dúvidas é proporcionar provas movimentas numa pista onde os carros podem disputar posições lado a lado. Se for para assistirmos uma procissão, um circuito misto vai sempre proporcionar um espetáculo melhor. E o que se viu no pequeno oval de Richmond foi uma procissão das mais aborrecidas.

A única movimentação real da prova foi a aposta de Michael Andretti de colocar Hideki Mutoh e Danica Patrick numa estratégia de parada diferente. No final funcionou razoavelmente bem (a dupla chegou respectivamente em 4º e 5º, o que mais do que aparentava possível). A aposta, porém foi prejudicada porque Mike Conway fez o favor de acertar o muro na altura em que somente os dois pilotos da Chip Ganassi e Graham Rahal não haviam realizado o seu segundo pit stop. Como Richmond é um oval de 0.75 milhas em que se faz uma volta em pouco mais de 18 segundos o resultado de somente os lideres pararem obre amarela foi previsível: ao fim da prova somente o trio e os dois pilotos da AGR estavam na volta do líder (sendo que Mutoh e Patrick mais de meia volta atrás).

Richmond foi tão insuportável que nem o trafego colaborou. Me peguei sentindo falta de Jacques Lazier e a corroça da 3G que viras cerca de 10mp/h mais lento que o resto do gride na semana anterior em Iowa terminara algo como 15 voltas atrás. Ao menos Lazier nos garantiria alguma diversão, mas ele fez o favor de rodar na primeira volta. Estava tudo tão aborrecido que a certa altura eu estava mais preocupado em ponderar se a pintura da Mcdonalds no segundo carro da Newman-Haas-Lanigan era um favor do Carl Haas ao patrocinador agora que o dinheiro do pai do Robert Doornbos acabou ou se Mcdonalds decidiu extender o patrocínio para o segundo carro.

Para completar o covarde conhecido como Scott Dixon passou os últimos 15 minutos da prova evitando ultrapassar um retardatário para não correr o risco de abrir espaço para seu companheiro Dario Franchitti tentar algo. Ao fim da prova, restou a Franchitti pedir desculpas aos fãs pela pobreza que se viu na pista. Ao menos, a organização promete algumas novidades (incluindo um sistema de push to pass) para movimentar as provas em ovais a partir de Kentucky. E melhor ainda, teremos agora três circuitos mistos em seqüência.

Sobre o resto da prova os eventos mais relevantes foram os abandonos da dupla da Penske (ambos por conta de erros infantis dos pilotos) e que Ernesto Viso finalmente completou uma prova em 2009.

Não comentei a prova de Iowa semana passada. Foi bem melhor que o que vimos em Richmond. A primeira metade foi provavelmente a melhor e mais movimentada etapa em oval do ano, apesar do excesso de bandeiras amarelas que não deixavam a corrida fluir. E na primeira metade tivemos um show a parte de Thomas Scheckter que parecia ignorar que seu carro não era uma Penske ou Ganassi. Depois Dario Franchitti decidiu que já estava de bom tamanho e não precisávamos de uma boa prova e começou um passeio que aos poucos contaminou o resto do grid. De qualquer forma espero que Iowa permaneça no calendário durante muito tempo, o circuito é novo, mas em pouco tempo estabeleceu uma personalidade própria (a elevação na curva dois que pega muitos pilotos de surpresa e especialmente bem vinda).

Campeonato:
1) Dario Franchitti (Chip Ganassi) 279
2) Scott Dixon (Chip Ganassi) 278
3) Ryan Briscoe (Penske) 253
4) Helio Castroneves (Penske) 225
5) Danica Patrick (Andretti Green) 219
6) Dan Wheldon (Panther) 204
7) Tony Kanaan (Andretti Green) 190
8) Marco Andretti (Andretti Green) 185
9) Graham Rahal (Newman-Haas-Lanigan) 180
10) Hideki Mutoh (Andretti Green) 174

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