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Saiu um primeiro rascunho do calendário 2010 da Formula 1. As grandes novidades é o Bahrain ser a prova de abertura (uma pena) já que o campeonato começa mais cedo e Bernie não quer que Melbourne aconteça durante o horario de verão australiano, Valência ser movida para junho e a China retornando para o fim da temporada. Montreal como já anunciado retorna após uma sentida ausencia este ano.

14/3 – Bahrain (Sakhir)
28/3 – Austrália (Melbourne)
4/4 – Malásia (Sepang)
25/4 – Turquia (Istambul)
9/5 – Espanha (Barcelona)
23/5 – Mônaco (Monte Carlo)
6/6 – Canadá (Montreal)
27/6 – Europa (Valencia)
11/7 – Grã Bretanha (Donington)
25/7 – Alemanha (Hockenheim)
1/8 – Hungria (Budapeste)
22/8 – Bélgica (Spa-Francorchamps)
5/9 – Itália (Monza)
19/9 – China (Shanghai)
26/9 – Cingapura (Cingapura)
10/10 – Japão (Suzuka)
24/10 – Brasil (Interlagos)
7/11 – Abu Dhabi (Yas Marina)

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Sempre ouço – especialmente de quem só acompanha Formula 1 – de que a armada de veteranos da categoria deveria ser aposentada para abrir espaço aos grandes jovens talentos da GP2. Pois bem vejam está maravilhosa largada na prova de Domingo para entender porque Heidfeld e Trulli seguem empregados. Notem bem que quem fez cacá não foram pilotos pagantes, mas Fillippi, Di Grassi, Zuber e Van Der Garde todos tidos como pilotos “de ponta” da categoria. Foi preciso quatro largadas, um terço da prova e um terço do grid destruído para a GP2 finalmente ter uma volta limpa domingo. No final das quatro largadas, Hulkenberg soltara de 7º para 1º, é por estas que o jovem alemão é o único do grid que certamente consegue vaga na categoria principal sem patrocínio ou relações com montadora.

McLaren errou, mas isto não decidiu o GP de Valência

McLaren errou, mas isto não decidiu o GP de Valência

Muitos creditam a vitória de Rubens Barrichello ontem ao erro da McLaren na segunda parada de Lewis Hamilton. Há verdade nisso, mas apesar dele certamente exagerar para blindar a equipe, Martin Whitmarsh tem razão ao apontar que o maior mérito foi mesmo do excelente ritmo de corrida de Rubens. O que aconteceu com Hamilton foi muito diferente de por exemplo o erro da Renault no GP passado. Foi o ritmo de Barrichello que transformou uma vitória fácil de Hamilton numa interrogação que resultou na equipe errar sob pressão. Ao notar que com 5 voltas de folga Barrichello tinha sim condições de tirar os cerca de 4 segundos que Lewis tinha de frente a equipe tentou fazer uma alteração de última hora que deu errado.

Interessante observar que o que decidiu a prova foi o que ela teve de mais interessante: o duelo de voltas rápidas entre Barrichello e Hamilton durante seus segundo stints. Ambos os pilotos andaram muito ali e deram um bom exemplo dos prazeres da Formula 1 moderna. Valencia não foi o melhor dos GPs, mas acho difícil chamar de chata ou entediante uma prova com tal duelo entre os dois pilotos que disputam a vitória. Barrichello venceu justamente ao convencer a McLaren que poderia causar estragos quando tivesse 5 voltas de pista livre e a missão de tirar 4 segundos.

Fora isso vale a pena destacar a excelente prova de Kimi Raikkonen que salvou mais um pódio pra Ferrari. Assim como Nico Rosberg provavelmente o piloto mais constante da última meia dúzia de provas. Por outro lado mais uma vez Kovalainen deixou muito a desejar.

Pouco mencionado foi que para além do desempenho decepcionante do carro a Red Bull teve um péssimo fim de semana nos boxes. Webber perdeu dois pontos (e a oportunidade de reduzir um pouco mais a diferença para Button) com uma segunda parada ruim e apesar da Globo ignorar cmpletamente o Vettel parou duas vezes antes de abandonar porque aparentemente na primeira vez a bomba não injetou combustível. A pressão atingiu a equipe? Button agradece.

Barrichello pesado está em boa posição para a prova de amanhã

Barrichello pesado está em boa posição para a prova de amanhã

Algumas observações sobre o treino de hoje por equipe:

McLaren: A recuperação parece mesmo notável. Ao menos nos circuitos de lenta, mas a julgar por este fim de semana os fãs podem ficar seguros de que no mínimo lá atrás não devem andar nos circuitos de alta. Para o azar da equipe caso os problemas aerodinâmicos permanecerem nos circuitos rápidos restam somente Cingapura e Dubai entre as pistas travadas do calendário. Com Kovalainen em segundo e esta pista horrorosa onde nem a GP2 ultrapassa, o único adversário de Hamilton é ele mesmo.

Brawn: A equipe deve estar muito aliviada. Bom ritmo em todas as fases do treino e a subida de produção da McLaren dificulta o trabalho da Red Bull. Desde que Kovalainen não o segure Barrichello tem boas chances amanhã.

Red Bull: Não é a melhor das provas da equipe dos energéticos. Também não nos demos muito bem em Mônaco, mas pode deixar que nas pistas de verdade – Spa e Monza – trituraremos Brawn e McLaren.

Ferrari: Discreta o dia quase todo, mas Raikkonen salvou um ótimo 6º lugar no fim. Badoer infelizmente não andou nada. Bourdais e Nelsinho devem estar aguardando uma ligação a qualquer momento.

Williams: Não tão bem como nas últimas provas.

Renault: Alonso surpreendeu a todos (e arruinou meu bolão) a não fazer graça para torcida no Q3. Romain Grosjean estreou seguro na média do Nelsinho e frustrou quem secava ele.

BMW: Melhor treino dos alemães em muito tempo. Ainda não é o ideal, mas Kubica voltou ao Q3 e Heidfeld ficou em 11º. Chances reais de pontos pela primeira vez em muitas etapas.

Force India: É inegável que a equipe subiu muito de produção, só precisa deixar de lado o nervosismo e até o fim do ano sai do zero.

Toyota: Como já acontecera em Mônaco tem péssimo fim de semana. No contexto, o 13º lugar do Glock foi tão bom como 12º do Sutil.

Toro Rosso: Lenta. Buemi segue tirando o que pode do carro nos treinos e o espanholzinho ainda é o mais lento do grid.

Os Enganadores

Premat se acidenta em Le Mans

Premat se acidenta em Le Mans

A etapa de Nurburgring da DTM foi bem chata (alias o campeonato deste ano vem deixando a desejar na pista apesar de estar emocionante na tabela). De interessante só observar o massacre imposto pela Audi sobre a Mercedes. A Audi manteve os 4 primeiros lugares desde o fim da primeira volta (com Martin Tomczyk, Timo Scheider, Mattias Ekström e Markus Winkelhock enfileirados e sem se ameaçarem) e a Mercedes pouco pode fazer a parte assistir Gary Paffett – melhor piloto da montadora na temporada – conseguir salvar pelo menos um pontinho depois de largar em 16º.

O momento mais “emocionante” da prova foi ver Alexandre Prémat tirar seu companheiro Oliver Jarvis já na segunda volta. Foi a segunda prova seguida que Prémat tirou outro piloto da Audi da prova e até a direção da TV aproveitou para flagrar o chefe da Audi irritadíssimo. O momento me fez pensar na carreira de Premat. Acompanho-o desde 2004 e neste meio tempo nunca o vi correr sem ser em equipes de ponta: foi fiel segundo piloto de Jamie Green na F3 Europeia pela Art e depois novamente pela equipe francesa serviu a Nico Rosberg e Lewis Hamilton em seus títulos na GP2. Depois disso foi correr de protótipos e DTM pela Audi.

Premat nunca mostrou grande brilho em nenhum destes campeonatos apesar do equipamento de primeiro. Seu melhor momento foi o titulo da primeira temporada A1GP quando se revezou no comando do carro francês com Nicolas Lapierre. É preciso dizer que aquele carro francês andava num ritmo a parte da competição (Premat venceu 7 provas, Lapierre 6) e que apesar disso Premat estava na pista numa prova vencida pelo inesquecível Alex Yoong.

Em suma, apesar de que as boas equipes garantam que no papel os resultados de Premat pareçam promissores ele nunca impressionou ninguém que o acompanhou, mas lá está ele bem empregado na Audi. Quem se recorda dos vídeos que postei m Le Mans vai lembrar de Premat começar a série de problemas da Audi ao se acidentar na volta 2 de uma prova de 24 horas onde em tese tinha carro para brigar pela vitória.

Resumo a carreira do Alexandre Premat menos para atacá-lo e mais porque vendo-o colher Jarvis de maneira idiota foi difícil não pensar em como ele resume bem um certo tipo de piloto enganador que sempre marcou presença no automobilismo. Penso aqui naqueles pilotos cuja carreira parece mais conduzida pela habilidade nos bastidores do que na pista. David Couthard talvez seja o exemplo mais bem acabado deste fenômeno na F1 moderna. Quem viu sem conterrâneo escocês Allan McNish correr não tem dúvidas sobre quem mais contribuiu para o automobilismo no periodo, mas Coulthard é quem teve a carreira de algum sucesso na Formula 1.

Automobilismo nunca foi um esporte individual, mas em certos momentos desejo que os responsáveis por contratar pilotos tenham mais discernimento.

AJ Foyt e o carro com o qual conquistou sua quarta vitória em Indianapolis

AJ Foyt e o carro com o qual conquistou sua quarta vitória em Indianapolis

Quando Scott Dixon recebeu a bandeirada na prova de Mid-Ohio (onde o império do mal Penske-Ganassi aparentemente resolveu se vingar por Kentucky e aplicar um massacre sobre a competição), a TV foi rápida em apontar que Dixon se tornara o novo recordista de vitórias da categoria. É justo, mas é bom lembrar que dada a zona histórica que os monopostos nos EUA trata-se de uma marca menos relevante do que aparenta, Dixon, sequer é o piloto com maior numero de vitórias no grid de Mid-Ohio (antes da prova começar seria o quarto). Uma lista dos maiores vencedores precisa para além da IRL, considerar a antiga AAA (que sancionou as provas até os anos 50), USAC (que comandou os monopostos do fim dos anos 50 até o fim dos 70 e continuou responsável por Indianápolis até a fundação da IRL) e as mais conhecidas Cart e ChampCar (que não são a mesma coisa é bom lembrar).

1 – AJ Foyt – 67 (todas USAC)
2 – Mario Andretti – 52 (USAC – 33 Cart -19)
3 – Michael Andretti – 42 (todas Cart)
Marco precisa vencer muito para fazer jus ao nome da família.
4 – Al Unser, Sr. – 39 (USAC – 36 Cart – 3)
5 – Bobby Unser – 35 (USAC – 25 Cart – 10)
6 – Al Unser, Jr – 34 (USAC – 2 Cart – 29 IRL – 3)
Al Unser III – atualmente no grid da Indy Lights – precisa se esforçar ainda mais para fazer valer o nome da família.
7 – Sebastien Bourdais – 31 (Cart – 3 ChampCar – 28)
Paul Tracy – 31 (Cart – 26 ChampCar – 5)
Os dois rivais seguem de longe os mais bem sucedidos pilotos não americanos do automobilismo local. Por sinal, Bourdais venceu 28 das 55 provas sancionadas pela ChampCar.
9 – Rick Mears – 29 (USAC – 7 Cart – 22)
10 – Johnny Rutherford – 27 (USAC – 18 Cart – 9)
11 – Rodger Ward – 26 (AAA – 2 USAC – 24)
Um dos pilotos mais bem sucedidos entre os anos 50/60. Venceu 2 Indys (59 e 62).
12 – Ralph DePalma – 25 (todas AAA)
O piloto mais bem sucedido da décadade 10. Venceu Indy 500 uma vez (14), mas é mais lembrado pela prova de 1912 em que liderou 196 voltas até o carro pifar a 2 voltas do fim.
Gordon Johncock – 25 (USAC – 21 Cart – 4)
Maior rival de Foyt, Andretti e os Unser nos anos 70, ainda apareceria ocasionalmente nas 500 Milhas (que vencey 2 vezes) no começo dos anos 90.
14 – Ted Horn – 24 (todas AAA)
Bobby Rahal – 24 (USAC – 1 Cart – 23)
16 – Tony Bettenhausen – 22 (AAA – 19 USAC – 3)
Helio Castroneves – 22 (Cart – 6 IRL – 16)
Emerson Fittipaldi – 22 (USAC – 2 Cart – 20)
Helio está a uma vitória de ser o piloto brasileiro mais bem sucedido da categoria.
19 – Earl Cooper – 21 (todas AAA)
Scott Dixon – 21 (Cart – 1 IRL – 20)
Dario Franchitti – 21 (Cart – 10 IRL – 11)
Dixon já venceu uma prova interessante na carreira?
22 – Bill Holand – 20 (todas AAA)
Tommy Milton – 20 (todas AAA)
24 – Jimmy Bryan – 19 (AAA – 12 USAC – 7)
Sam Hornish, Jr. – 19 (todas IRL)
Ralph Mulford – 19 (todas AAA)
27 – Jimmy Murphy – 17 (todas AAA)
Danny Sullivan – 17 (USAC – 1 Cart – 16)
29 – Dan Wheldon – 15 (todas IRL)
Alex Zanardi – 15 (todas Cart)

Vitaly Petrov deve estar no grid ano que vem

Vitaly Petrov deve estar no grid ano que vem

Escrevi pouco sobre a Formula 1 recentemente já que ao loga destas férias de verão teve pouco – fora a saída da BMW – para se escrever. Semana passada porém Peter Windsor fez uma revelação interessante. Segundo um dos chefes da USF1 a equipe recusou dois pilotos “sem experiência na F1, mas com vitórias na GP2” que traziam consiogo patrocínio o suficiente para cobrir ¾ do orçamento da equipe. Se for verdade estes dois sujeitos quase que certamente estarão no grid ano que vem. Me parece uma oportunidade para pensar que jovens pilotos podem “comprar” vaga no grid ano que vem.

O Fabio Seixas da Folha fez o favor de levantar a lista de pilotos que se encaixa na descrição de Windsor: Michael Ammermüller, Adam Carroll, Karun Chandhok, Mike Conway, Luca Filippi, Lucas Di Grassi, Romain Grosjean, Nico Hulkenberg, Neel Jani, Kamui Kobayashi, Nicolas Lapierre, José Maria López, Pastor Maldonado, Edoardo Mortara, Álvaro Parente, Vitaly Petrov, Clivio Piccione, Olivier Pla, Alexandre Prémat, Bruno Senna, Alberto Valério, Davide Valsecchi, Giedo Van der Garde, Javier Villa, Ernesto Viso e Andreas Zuber.

Por processo de eliminação sabemos que:
Mike Conway – Foi correr na IRL.
Nicolas Lapierre – Já trocou monopostos pelos protótipos.
José Maria López – Voltou para argentina e hoje domina a TC2000 lá.
Olivier Pla – Foi para os protótipos.
Alexandre Prémat – Pertence aos programas da Audi de protótipos e DTM.
Ernesto Viso – Foi correr na IRL.

Ou seja estes são pilotos cuja carreira visivelmente desviou da Formula 1. Ao contrario de Bruno Senna que optou por correr protótipos este ano, nenhum deles fez qualquer esforço para sugerir que ainda tem um projeto de Formula 1. Os seguintes pilotos seguem nos monopostos e categorias menores (especialmente A1GP): Michael Ammermüller, Adam Carroll, Neel Jani e Clivio Piccione

Destes, tanto Carroll como Jani tem assessores de imprensa que de tempos em tempos colocam uma nota na mídia sobre Formula 1. Então diria que são pilotos que não desistiram certamente não comandam este volume de dinheiro (do contrário estariam na GP2 este ano).

Dos demais diria que os seguintes estão na GP2 a anos e são operários padrões dela que podem trazer talento, mas não trazem dinheiro e certamente não entraram na Formula 1 como pilotos pagantes: Luca Filippi, Lucas Di Grassi, Álvaro Parente, Davide Valsecchi e Javier Villa.

Diria que Edoardo Mortara, Alberto Valério e Giedo Van der Garde podem trazer com eles algum dinheiro, mas não grandes quantias e são estreantes cujos investidores provavelmente prefeririam lhes dar mais experiência. Nico Hulkenberg conta com Willy Webber e muito hype e espera estrear por conta própria. Romain Grosjean provavelmente estreará em Valência ou Spa (é incrível, mas a Renault sequer despediu Nelsinho oficialmente ainda).

A lista curta de possibilidades é esta:
Karun Chandhok – O indiano tem dinheiro, mas ao contrário do que muitos acreditam não deve ser tão ilimitado assim já que Chandok trocou a iSport pela novato Ocean justamente por questõs de patrocínio. É inimigo do Mallya portanto não esperem qualquer suporte para ele vindo da organização do GP indiano.
Kamui Kobayashi – Faz parte do programa de jovens pilotos da Toyota. A melhor chanc portanto é substituir Kazuki Nakajima, mas a Toyota pode entrar com grana em algum lugar para prepara-lo. Kamui afinal venceu corrida na GP2, algo que Kazuki nunca fez.
Pastor Maldonado – Bancado pela PDVSA tem muito dinheiro e a reputação de ser um dos mais rápidos no grid da GP2.
Vitaly Petrov – Provavelmnte o piloto mais carregado de grana do grid. É rápido também, o que ajuda. Petrov dificilmente deixará de se tornar em Melbourne o primeiro russo a largar na Formula 1.
Bruno Senna – O primeiro-sobrinho diz que não tem dinheiro, mas certamente atrai patrocinadores. Imagino que tentará vaga só no talento, mas se ver que as coisas estão difíceis vai tentar montar um pacote.
Andreas Zuber – O piloto austríaco corre com a bandeira dos Emirados Árabes, o que por si só diz muita coisa. Torço para que não tenha tanto dinheiro.

Eu diria que Petrov, Maldonado e Zuber são os maiores candidatos a terem abordado Windsor e são juntos com Hulkenberg, Bruno e Grosjean os pilotos com mais chances de promoção em 2010.

Luca Badoer no F-3000 com que conquistou o título em 92

Luca Badoer no F-3000 com que conquistou o título em 92

Devo ser mesmo um fã de Formula 1 muito esquisito. Estou mais entusiasmado com a notícia de que Schumacher voltou a aposentadoria e Luca Badoer estará a bordo do carro #3 em Valência do que com o retorno do alemão.

Nada contra Schumacher a quem defendi muitas vezes ao longo dos anos. Na verdade caso o contexto fosse outro e pudéssemos ver um novo round do duelo maior da Formula 1 dos últimos 15 anos – Schumacher vs. Newey – eu teria me entusiasmado muito. Talvez a TV até filmasse um sujeito nas arquibancadas de Interlagos devidamente uniformizado como fã da Red Bull gritando “Vettel! Vettel! Webber! Webber!” com entusiasmo incomum. No contexto atual porém não consigo me entusiasmar muito com a idéia do alemão no grid. Confesso que para mim foi quase anti-climático o anuncio de que ele correria.

Para mim, o que de mais fascinante a “volta” de Schumacher acarretou foram as reações. Era como se Schumacher, nunca o mais popular dos campeões enquanto ativo, fosse recebido de braços abertas por todos os fãs não-ingleses da categoria (na Inglaterra as reações foram mais variadas e próximas aquelas que ele sempre despertou). Uma verdadeira aula em como a distancia do tempo ajuda a moldar nossas reações.

Eu simpatizo muito com Badoer. Mais, o retorno do eterno piloto de testes, mais fiel e menos comentado membro do dream team da Ferrari e o homem com maior numero de largadas sem somar pontos na categoria me interessa muito. A imagem de Badoer arrasado quando sua Minardi quebrou quando vinha em quarto é das mais marcantes que me lembro. O resto do GP de Valencia não me importa, mas sei que estarei lá torcendo para Badoer chegar ao menos em 8º. Schumacher? Para que?

Não era exagero dizer que Kentucky se tornou ao longo do mês de Julho a prova mais importante da categoria este ano. Pode-se até dizer que uma boa prova neste sábado se tornara essencial para o futuro da IRL. Após atingir o fundo de poço em Richmond e sem expectativas de receber um chassis novo antes do distante 2012 era essencial que o band-aid aerodinâmico proposto para o fim da temporada providenciasse boas provas em ovais. Confesso que não era otimista, mas os resultados foram surpreendentes.

Não só vimos muita ação sábado a noite, especialmente nas 80 voltas finais – creio que quase metade delas incluindo primeiro e segundo colocados correndo lado a lado -, não só tivemos uma prova decidida por 16 milésimos, mas sobretudo vimos uma das provas mais competitivas dos últimos anos. Ed Carpenter, Tony Kanaan, Graham Rahal e – antes de azar e problemas mecânicos os tirarem da disputa – Mario Moraes e Tomas Schekter mostraram carros capazes de disputar a prova com as Penske e Ganassis. O jovem Rahal ultrapassou Dixon e Franchitti duas vezes cada nas últimas 50 voltas, o que deve ser um evento que não acontecia desde que Chip Ganassi se livrou da Toyota.

O nome do dia foi claro Ed Carpenter. Creio que poucos pilotos são tão pouco queridos pelos fãs da IRL quanto o afilhado de Tony George, mas imagino que muitos estavam torcendo por ele nas voltas finais em Kentucky. A Vision sempre anda bem lá, mas Carpenter fez prova muito inspirada andando sempre entre os ponteiros e não dando chances para pilotos mais experientes como Kanaan. Andou muito mais neste sábado que muitos pilotos mais bem considerados o ano todo.

È bom dizer que nada garante que o que vimos no Kentucky se repetira nos últimos três ovais do ano (e vale ainda ressaltar que Motegi e Homestead raramente tiveram boas provas) e que a competitividade maior pode ser conseqüência do contexto incomum da prova já que graças a chuva teve os carros na pista apenas num warm up de uma hora.

Em outras notícias da IRL Robert Doornbos (que fez outra prova medíocre sábado) não corre mais na Newman Haas Lanigan. Oriol Servia deve estar no #06 no próximo fim de semana, enquanto Doornbos tenta fechar um acordo para correr num segundo carro da HVM (onde ele teve sucesso na Champ Car). Menos imediato, mas também aparentemente certo é que Dan Wheldon dificilmente retornará a Panther ano que vem. Wheldon que começou a temporada muito bem vem de uma série de provas medíocres e aparentemente seus salários estão atrasados (pelo visto Wheldon optou pela técnica dos jogadores de futebol brasileiros e vai correr com má vontade até a equipe paga-lo). O campeão de 2005 bate o pé num salário muito acima da média da categoria e considerando que Ganassi e Penske não tem interesse nele a não ser que alguém arranje um belo patrocínio, Wheldon só vai estar no grid ano que vem se aceitar que não vale o quanto acredita que vale (se consideramos que Wheldon apesar de vir de automobilismo europeu desaprendeu como andar em circuitos mistos, ele não vale mesmo).

Classificação do campeonato:
1) Ryan Briscoe (Penske) 416
2) Scott Dixon (Chip Ganassi) 408
3) Dario Franchitti (Chip Ganassi) 405
4) Helio Castroneves (Penske) 341
5) Danica Patrick (Andretti Green) 309
6) Marco Andretti (Andretti Green) 279
7) Dan Wheldon (Panther) e Tony Kanaan (Andretti Green) 274
9) Graham Rahal (Newman Haas Lanigan) 265
10) Justin Wilson (Dale Coyne) 253

As últimas voltas:

O sempre incansável Robin Miller divulgou em primeira mão o calendario do ano que vem da IRL (que será anunciado oficialmente neste fim de semana):
Rio de Janeiro
St. Pete
Birmingham
Long Beach
Kansas
Indianapolis
Texas
Iowa
Watkins Glen
Toronto
Edmonton
Mid-Ohio
Sonoma
Chicago
Kentucky
Motegi
Homestead

Portanto 9 circuitos mistos e 8 ovais.

A semana pós Indy vai ser deixada vaga para Milwaukee. O circuito está a beira da falencia, mas supostamente o milionário John Menard (que sempre manteve grande interesse no autmobilismo americano) estaria disposto a compra-la. Se Milwaukee Mile for salvo, o calendário ficaria meio a meio entre mistos e ovais.

Interessante é que este calendario agora tem 4 blocos bem claros de 4 ou 5 provas cada um entre ovais e mistos.

Rio em meados de março, St. Pete na ultima semana do mês.

O circuito de Barber em Birmingham é bem legal de correr em simulador, mas é muito estreito e deve ter pouquissimas ultrapassagens.

Kansas vai ser no primeiro fim de semana de maio.

Com Milkwaukee uma interrogação e Richmond fora, Iowa é o unico oval curto do calendario.

Kentucky vai mudar para a primeira semana de setembro e Toronto e Edmonton devem acontecer em semanas consecutivas.

O que diferenciou a BMW das outras equipes no grid desde sua chegada em 2006 é personalidade. Pode-se ou não gostar dela, mas a BMW desde o primeiro momento refletia o comando do Dr. Mario Theissen. Eles podiam não ser a mais excitante das equipes, pode-se até dizer que mais do que qualquer outra equipe representavam a influencia das grandes empresas na categoria graças ao estilo de gerente do Dr. Thiessen, mas também eram diretos e sem rodeios dentro da sua eficiência germânica. Sempre foram juntos a Red Bull (que de certa forma era seu perfeito oposto) a equipe Fora isso num meio pródigo em produzir Jean Todts e Flavio Briatores, Dr. Theissen era um sujeito muito simpático. Eu era fã da BMW.

Como era inevitável as especulações se multiplicam. Max Mosley já soltou seu press-release de “eu não disse?” e jornalistas como Flavio Gomes já dispararam que a equipe pulou fora depois de um mal ano. Parece-me óbvio que está foi uma decisão corporativa que aconteceria do mesmo jeito se a equipe estivesse na quarta posição do mundial de construtores. Se tivesse que chutar apostaria que a bagunça da categoria foi mais responsável pelos alemães perderem a paciência com a instabilidade geral. Sejamos francos a BMW é uma empresa séria, a Formula 1 não. James Allen sugere que a equipe pode ser devolvida a Peter Sauber com algum suporte dos alemães.

Em outros noticias, um bilionário russo um tanto suspeito supostamente está pronto para comprar a Renault. Acho que erramos com piloto da addax vai correr na equipe ano que vem…

Imagem que define o GP de Edmonton: Will Power corre sozinho

Imagem que define o GP de Edmonton: Will Power corre sozinho

Depois de duas provas em circuitos mistos muito boas tivemos uma prova morna no aeroporto de Edmonton. Ainda assim, não deixou de ser muito interessante por conta de um evento muito incomum: até a penúltima volta a corrida correu sem bandeiras amarelas. Com a prova toda em bandeira verde foi possível observar muita coisa, especialmente a superioridade da dupla Penske-Ganassi e sobretudo o tamanho da crise da Andretti Green.

Fato: Andretti Green parece incapaz de acertar seus carros para circuitos mistos. Ontem a melhor posição de largada da equipe fora um 12º com Hideki Mutoh (Kanaan saia em 13º, Marco em 18º e Danica em 20º, atrás até do Richard Antinucci com o carro Andrea Moda da 3G!). Geralmente a equipe disfarça a falta de performance com excelente estratégias de paradas se beneficiando muito das amarelas. Ontem sem amarelas, o máximo que a equipe conseguiu foi um 10º lugar com Marco Andretti que completou uma volta atrás. Alias, Marco segue o retardatário mais inconveniente da série, em Edmonton a sua recusa em abrir para os ponteiros chegou a tal ponto que um amigo meu definiu bem Marco é a nossa versão da amarela de debris da Nascar. Para completar a equipe fez churrasco com Tony Kanaan pela segunda vez este ano. Resultado no momento 2 dos 4 carros da equip estão atrás de um carro da Dale Coyne na classificação do campeonato.

Enquanto isso os carros de Penske e Ganassi faziam uma corrida a parte com Paul Tracy e Graham Rahal – os dois melhores do resto – cerca de 30 segundos atrás dos lideres. Alias, Tracy finalmente no seu retorno a categoria fez um dos seus clássicos totós justamente no seu companheiro de equipe Mario Moraes.

O nome da prova foi Will Power, na sua campanha pessoal para convencer Roger Penske em lhe dar uma vaga em tempo integral ano que vem. Power liderou todas as voltas (salvo pelas janelas de parada), quase sempre com uma margem segura, nunca foi ameaçado. Seu domínio foi tão completo que em certos momentos parecia que víamos uma prova da Champ Car e o nome de Power era Sebastian Bourdais. É preciso dizer que das 5 provas que o australiano disputou foi o nome da corrida em três e isto porque corre com uma equipe improvisada que não tem intimidade com o chassis Dallara. A Penske como um todo dominou a prova, mas Power visivelmente estava um tanto a frente de Briscoe e Castroneves.

Deve se elogiar a decisão da Penske em deixar Power vencer a prova, mas isto também sugere que a equipe jogou a toalha quanto as possibilidades de Helio Castroneves conquistar o título este ano. Helio, por sinal, fez uma prova bem honesta após o fiasco de Toronto e realizou uma belíssima ultrapassagem sobre Scott Dixon para garantir o 2º lugar.

IRL oficializou hoje que estreará seu sistema de push to pass em Kentucky sábado. Tomara que tenhamos uma prova melhor em oval.

Hamilton vence após passar a temporada europeia quase toda em branco

Hamilton vence após passar a temporada europeia quase toda em branco

Como não podia deixar de ser a prova de hoje foi completamente ofuscada pelo acidente de Felipe Massa. Como não sou jornalista, nem médico não pretendo me alongar sobre o assunto, mas recomendo acompanhar os blogs do Ico e do Felipe Motta, ambos muito competentes e nada sensacionalistas e escrevendo direto de Budapeste. Alem disso no blog do Becken na discussão pós acidente dois leitores médicos fizeram mais para clarificar as informações do que qualquer um na grande mídia.

Sobre a prova em si basta dizer que Lewis Hamilton foi brilhante. Sua vitória de certa forma me lembrou muito a de Alonso no Japão ano passado, como o espanhol naquela ocasião ele tinha um carro muito bom, mas não necessariamente o melhor e viu os favoritos terem azar nas primeiras voltas, mas a sorte em nada diminuiu sua vitória incontestável. Sobrou o dia todo e finalmente se beneficiou de um dos bons fins de semana do inconstante carro da McLaren.

Ainda assim recomenda-se cuidado aos fãs da equipe de Woking, o verdadeiro teste para saber se a equipe solucionou mesmo os problemas do carro será em Spa. De qualquer forma das últimas 7 últimas etapas, pelo menos 3 (Valencia, Cingapura e Abu Dhabi) devem permitir desempenhos competitivos da equipe. O quinto lugar de Kovalainen (atrás da Red Bull, Ferrari e Williams) talvez represente melhor a posição da equipe. Kimi Raikkonen foi bem, mas ao contrário de Lewis Hamilton pode considerar seu 2º lugar resultado de uma prova atípica.

Já a Red Bull deve ficar decepcionada com sua prova. Com o melhor carro do fim de semana não foram além de um terceiro lugar. A equipe teve muito azar, mas também falhou. Vettel largou mal independente do toque do Raikkonen e acabou pagando caro por isso. Depois a equipe errou no primeiro pit stop de Mark Webber e também comprometeu a estratégia do australiano a colocá-lo no pior pneu no segundo stint. Por sua vez Webber teve rendimento fraco no miolo da prova e mesmo com uma estratégia melhor e sem erros de equipe provavelmente não chegaria a apertar Hamilton, mesmo assim a equipe perdeu 2 pontos que podem custar o título no fim da temporada.

Para a sorte da Red Bull a Brawn teve péssimo fim de semana. Button acabara prejudicado no Q3 no sábado pelo zelo da equipe após o acidente com Massa, mas suas chances no fim de semana se esgotaram na largada pobre. Depois disso só administrou uma prova apagada para salvar 2 pontos. Barrichello também fez péssima largada caiu para penúltimo e depois fez o máximo com sua estratégia agressiva para chegar em 10º tivesse largado bem tinha chances reais de pontos.

Outros dois grandes destaques da prova foram Nico Rosberg e Timo Glock. Rosberg andou muito mais uma vez com um ritmo forte, mas foi prejudicado para variar pelo timing das paradas da Williams e uma tendência cada vez mais pronunciada do carro de gastar algumas voltas após as paradas até recuperar sua performance. Glock faz parte do grande grupo de pilotos que não se encontram com o atual sistema de classificação, mas a cada prova que passa reforça ser um dos melhores do grid quando precisa produzir uma série constante de voltas rápidas em corrida. Hoje não tivesse ficado preso atrás do Raikkonen teria chances de transformar seu 13º lugar de largada até mesmo num 4º, não que não deva ficar satisfeito com seu 6º lugar.

Prefiro nem escrever sobre a punição ridícula a Renault. O incidente com o pneu deve ter dado flashbacks de 2006 para Alonso. A suposta despedida de Nelsinho foi discreta, sem brilho, mas sem erros.

Jaime Alguersuari estreou como se imaginava. Foi lento e terminou 18 segundos atrás do Fisichella num fim de semana onde a Force India voltou a ser a velha Force India do ano passado, mas não cometeu nem um erro o dia todo. Em compensação Sebastian Buemi teve um dia muito infeliz, perdeu 4 posições na largada e depois foi aos poucos andando para atrás até ficar a frente somente do inexperiente companheiro, por fim rodou e chegou em último. Vale dizer que suíço não faz uma prova decente desde a China. O carro da Toro visivelmente melhorou muito como a posição no grid de Buemi sugere, mas hoje faltou piloto.

Alguersuari na World Series by Renault

Alguersuari na World Series by Renault

Não sou a favor da contratação do Jaime Alguersuari e acho uma pena que a Formula 1 após alguns anos voltou a ter um legítimo piloto pagante, mas há algo um tanto histérico nas reações a estréia dele.

A última vez que algo aparecido aconteceu foi com Kimi Raikonnen em 2001. São situações diferentes: Kimi fizera a quilometragem necessária para receber a super licença, o que lhe faltava quase que por completo era experiência em monopostos. Naquela altura o finlandês pilotara cerca de 20 provas de Formula Renault e nada mais. O risco portanto era sobre qual seria o comportamento do piloto quando colocado para competir numa categoria de alto nível. Kimi logo se revelou um piloto seguro e a chiadera desapareceu, mas ela era compreensível.

Alguersuari tem zero de experiência na Formula 1 e isto é sem dúvidas péssimo para a Toro Rosso. Chega a ser cômico para a equipe que ela faça uma aposta dessas neste ponto. Todo o trabalho de adaptação a categoria ocorrerá entre sexta e sábado e sua presença será certamente uma atração nos treinos de sexta-feira. Isto dito, Alguersuari tem 2 temporadas de F3 e meia da World Series. Não é perfeito, mas é mais do que o atual líder do mundial Jenson Button tinha quando estreou em 2000. Claro que Jenson treinou muito na pré-temporada, mas estes treinos são muito mais para garantir a competitividade do piloto do que para impedir que ele seja um perigo para os demais pilotos.

Não acompanhei de perto a carreira de Alguersuari, este ano vi-lo competir só uma vez curiosamente na etapa húngara da World Series. Mas pelos comentários de quem realmente o acompanhou parece se tratar de um piloto tranqüilo e seguro, sem histórico de acidentes. Pelo contrário a fama de Alguersuari é justamente de ser um piloto rápido, mas para quem falta arrojo nas disputas de posição. Considerando que seu principal objetivo domingo será sobreviver é difícil imaginá-lo forçando a barra sobre alguém pela 13º posição sendo que não fazia isso mesmo quando disputava títulos. Se fosse piloto de F1 preferiria ter algúem como Alguersuari no grid do que um piloto como Luca Filippi (para ficar em um piloto GP2 com mais quilometragem num carro de Formula 1).

Téo Fabi: arquétipo do europeu que migra aos monopostos americanos ou exceção?

Téo Fabi: arquétipo do europeu que migra aos monopostos americanos ou exceção?

A demissão do Sebastien Bourdais fez voltar as velhas e um tanto tolas discussões sobre a qualidade dos pilotos americanos e a suposta facilidade dos pilotos oriundos da Europa que vão para lá (por exemplo este post do Victor Martins).

A verdade como sempre é bem mais complexa e precisa levar em conta que bons pilotos nem sempre se adaptam a equipamentos muito diferentes (ao final de 99, Zanardi estava mais desesperado para se ver longe do carro da Williams que Sir Frank de se livrar dele) e de que como regra os pilotos de resultados discretos na F1 como Christian Fittipaldi que venceram nos EUA tiveram a oportunidade de correr com carros de ponta por lá (os números de Tarso Marques pela Dale Coyne não são melhores que seus pela Minardi).

Ao contrario do que muitos acreditam não existe nada que garanta que Rubens Barrichello ou Adrian Sutil seriam forças na IRL se mudassem para lá amanhã, basta perguntar ao Robert Doornbos que atualmente leva uma surra do seu companheiro pós-adolescente.

Como pequeno exercício resolvi observar a carreira de 5 pilotos de F1 que migraram para os EUA. Todos eles obtiveram algum destaque na Formula 1 foram vistos como promessas e/ou tiveram bons carros, mas ao mesmo tempo nenhum deles foi dono de grande sucesso, ou seja 5 Nick Heidfelds que em determinado momento se mudaram para os EUA.

Mark Blundell
F1
63Gps 3 pódios
Cart
81Gps 3 vitórias 5 pódios

Blundell é uma das inúmeras promessas do automobilismo inglês a não vingar na Formula 1. Sua grande oportunidade veio em 1995 quando substituiu Mansell na McLaren sem qualquer sucesso. Sua passagem de 5 temporadas pela Cart foi mais feliz sem dúvida, mas só encontrou sucesso mesmo em 97 no melhor ano da equipe PacWest (seu companheiro Mauricio Gugelmin venceu pela primeira vez naquele ano também) quando venceu por 3 vezes e chegou em terceiro outras duas e terminou a temporada num honroso 6º lugar. No resto do tempo foi um bom piloto do meio de pelotão sem grandes arrombos, mas constante.

Eddie Cheever
F1
132Gps 9 pódios
Cart
82Gps 4 pódios

Quando eu era pequeno, Cheever era “o” piloto americano da Formula 1. É dono de uma das carreiras mais longas entre os que nunca venceram na categoria permanecendo no grid ao longo de toda a década de 80. Seu melhor momento foi como segundo piloto de Alain Prost na Renault em 83. Em 90, Cheever foi correr em casa pela nova mais promissora equipe Chip Ganassi. Apesar de ter um bom carro nas mãos nunca foi muito competitivo nos 3 anos na equipe (seu companheiro Arie Lundyek certamente impressionava bem mais) e amargou depois 3 temporadas com carros piores. Cheever finalmente obteve sucesso em casa após a cisão dos monopostos americanos quando permaneceu na muito enfraquecida IRL inicial. Sendo um dos poucos pilotos conhecidos correndo por lá atraia bons patrocínios (e por conseqüência carros) e no meio de grids empobrecidos venceu 5 provas incluindo as 500 Milhas de Indianápolis de 98. Em 2006 tentou um último retorno a uma IRL mais forte com resultados constrangedores. Por ironia este piloto americano criado no automobilismo europeu é hoje associado quase exclusivamente pelos fãs locais com uma visão bem retrograda de como uma grande categoria de monopostos deveria ser gerida por lá. É lembrado em companhia de Billy Boat e Greg Ray e não Danny Sullivan ou Rick Mears.

Téo Fabi
F1
63 Gps 2 pódios 3 poles
Cart
118 Gps 5 vitórias 14 pódios 10 poles

Téo Fabi estreou sem grande sucesso na F1 em 82 e se mudou para os EUA em 83 quando foi eleito Rookie do Ano. Voltou para Europa logo depois e se revelou um bom leão de treino nos seus anos de Toleman/Benetton. Faltava lhe porem ser constante ao longo das provas apanhando das jovens promessas Gerhard Berger e Thierry Boutsen e terminou por voltar aos EUA onde certamente foi mais competitivo. Fabi é o exemplo perfeito da idéia clichê da transição, mas a mesma irregularidade que lhe custou uma carreira melhor na F1 era visível na Cart. A despeito de bons resultados ocasionais podia-se contar com Fabi bem distante da ponta da tabela ao fim da temporada.

Bruno Giacomelli
F1
69 Gps 1 pódio 1 pole
Cart
11Gps

Giacomelli é um destes jovens pilotos que aparecem com tudo e logo depois somem em meio a carros ruins. Quando obteve a pole position em Watkins Glen em 1980 era visto como uma grande promessa, ao final da temporada seguinte a Alfa Romeo abriu mão dos seus serviços e Giacomelli pouco fez nos seus últimos anos na categoria. Em 85 foi se arriscar nos EUA pela Patrick (equipe onde Emerson Fittipaldi obteve bastante sucesso). Não durou a temporada. Seu melhor resultado foi um 5º lugar.

Stefan Johansson
F1
103 Gps 12 pódios
Cart
74 Gps 4 pódios

Johansson é junto a Nick Heidfeld o recordista de pódios sem vitórias na Formula 1 e teve inclusive oportunidade na Ferrari e McLaren. Segundo a lógica de muitos tinha tudo para fazer bela carreira nos EUA, mas geralmente andava pelo meio do grid. Em 5 anos, obteve 4 3º lugares como melhores resultados e nunca terminou uma temporada entre os 10 melhores. No automobilismo americano se revelou um burocrata ainda maior que na Europa, mas se sairia bem melhor após trocar monopostos pelos GTs.

Voltando ao Bourdais que afinal ocasionou este post, é bom lembrar que alem de resultados fracos pela Toro Rosso, ele foi 2º em duas importantes provas de Endurance (Sebring e Le Mans). Fosse amigo do piloto francês lhe consolaria apontando que no meio de seus stints furiosos na madrugada de Le Mans andou muito mais que o trio Alonso/Hamilton/Raikonnen fez o ano inteiro. O automobilismo é sempre mais que a Formula 1.