
McLaren errou, mas isto não decidiu o GP de Valência
Muitos creditam a vitória de Rubens Barrichello ontem ao erro da McLaren na segunda parada de Lewis Hamilton. Há verdade nisso, mas apesar dele certamente exagerar para blindar a equipe, Martin Whitmarsh tem razão ao apontar que o maior mérito foi mesmo do excelente ritmo de corrida de Rubens. O que aconteceu com Hamilton foi muito diferente de por exemplo o erro da Renault no GP passado. Foi o ritmo de Barrichello que transformou uma vitória fácil de Hamilton numa interrogação que resultou na equipe errar sob pressão. Ao notar que com 5 voltas de folga Barrichello tinha sim condições de tirar os cerca de 4 segundos que Lewis tinha de frente a equipe tentou fazer uma alteração de última hora que deu errado.
Interessante observar que o que decidiu a prova foi o que ela teve de mais interessante: o duelo de voltas rápidas entre Barrichello e Hamilton durante seus segundo stints. Ambos os pilotos andaram muito ali e deram um bom exemplo dos prazeres da Formula 1 moderna. Valencia não foi o melhor dos GPs, mas acho difícil chamar de chata ou entediante uma prova com tal duelo entre os dois pilotos que disputam a vitória. Barrichello venceu justamente ao convencer a McLaren que poderia causar estragos quando tivesse 5 voltas de pista livre e a missão de tirar 4 segundos.
Fora isso vale a pena destacar a excelente prova de Kimi Raikkonen que salvou mais um pódio pra Ferrari. Assim como Nico Rosberg provavelmente o piloto mais constante da última meia dúzia de provas. Por outro lado mais uma vez Kovalainen deixou muito a desejar.
Pouco mencionado foi que para além do desempenho decepcionante do carro a Red Bull teve um péssimo fim de semana nos boxes. Webber perdeu dois pontos (e a oportunidade de reduzir um pouco mais a diferença para Button) com uma segunda parada ruim e apesar da Globo ignorar cmpletamente o Vettel parou duas vezes antes de abandonar porque aparentemente na primeira vez a bomba não injetou combustível. A pressão atingiu a equipe? Button agradece.
Não acompanhei dessa vez pelo Live Timing. Então, tirando a disputa pela liderança, achei a corrida um saco.
Mas pensando bem, o piloto que teve mais atenção da transmissão nem estava na pista…
De uma hora pra outra, vendo Button e Webber voltando a ser “o que a da carreira deles mostrou”; e Hamilton e Raikkonen no podium, bate uma saudade dos anos anteriores…
Esse 2009 já teve de tudo: a surpreendente Brawn/Button do começo. KERS, novas regras, principio de apocalipse, reação da RBR. Ressureição da McLaren e em certo ponto da Ferrari…
Acho que nesse contexto, a disputa entre Rubens e Hamilton não tinha tanta importância pro campeonato. Ou eu não estou acreditando suficientemente no Barrica. Seja como for, achei chato.
Concordo. Claro que o erro da McLaren prejudicou Hamilton. Mesmo assim, Rubens poderia ter vencido. Ainda que a disputa fosse mais difícil no fim da corrida…
Eu tenha a mesmíssima opinião Filipe. Eu vi gente que “tem opinião” dizendo que a corrida foi chata mas eu fiquei me imaginando COMO eles assistem a corrida. Será que é pelo rádio ou apenas via Globo?
Foi espetacular ver o segundo stint da corrida com Lewis púrpura no primeiro setor e o Rubens púrpura descontando no terceiro, além de verificar o sobe e desce do Badoer e do Grosjean na rabeira.
Ponha o Live timing à sua frente e corrida se descortina…
Sobre a Red Bull, eu acho a equipe tão inexperiente quanto o Vettel.
Acho que ela tem que olhar com atenção como a Brawn e o Rubens conseguiram eliminar a vantagem do KERS usando uma estratégia conservadora mas eficiente na classificação e na corrida — isso se for confirmado que eles terão algum favoritismo em Spa.
O KERS talvez não seja muito eficiente na apertada reta da largada, mas na reta após a Eau Rouge será um tormento…
A Red Bull é muito inexperiente sim. Vale lembrar que a zona do fim da Australia (que pode ser um dos momentos decisivos do campeonato) seria evitada se a equipe tivesse colocado gasolina suficiente na primeira parada para o Vettel usar os supersofts só em 8 ou 9 voltas, o que na altura da parada dele já se revelara o maximo que os pneus sustentavam (programaram a parada dele a 13 voltas do fim).